O ecossistema de startups de Santa Catarina registrou captações de R$ 380 milhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), que monitora o setor desde 2008.

O resultado consolida o estado como um dos três maiores polos de inovação do Brasil, ao lado de São Paulo e Minas Gerais. Florianópolis concentra a maior parte das empresas, mas cidades como Joinville, Blumenau e Chapecó também aparecem com força crescente no mapa do empreendedorismo tecnológico catarinense.

Entre os segmentos que mais se destacaram no período, as fintechs lideram com R$ 142 milhões captados em 12 rodadas. Em seguida vêm as agtechs, com R$ 89 milhões, e as healthtechs, com R$ 67 milhões. "O agronegócio catarinense é um mercado enorme e ainda pouco digitalizado", explica um analista da ACATE. "As agtechs estão encontrando muita oportunidade aqui."

Uma das rodadas mais comentadas do semestre foi a de uma startup de Florianópolis especializada em gestão financeira para pequenas empresas, que captou R$ 45 milhões em uma série B liderada por um fundo de São Paulo. A empresa, fundada em 2021, já atende mais de 80 mil clientes em todo o Brasil.

O ambiente regulatório favorável e a presença de grandes empresas de tecnologia na região — como a Totvs, a Softplan e a Neoway — criam um ecossistema de talentos que beneficia as startups. "A gente consegue contratar bons engenheiros aqui, o que é cada vez mais difícil em São Paulo", diz o CEO de uma healthtech que se mudou de São Paulo para Florianópolis em 2023.

Para o segundo semestre, as perspectivas seguem positivas. A queda nas taxas de juros e o aumento do apetite dos fundos de venture capital por empresas fora do eixo São Paulo-Rio devem manter o ritmo de investimentos.